O esporte de alto rendimento esta presente na nossa vida desde muito cedo, assim também como o lúdico, talvez por uma questão cultural, ou da própria naturalidade da infância, mas não tínhamos o entendimento que ambos não tem o mesmo significado.
Após as leituras de Huizinga (Homo Ludens – Huizinga Johan – 2004, 5º ed) e Valter Bracht (“A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo… capitalista” – 1986), passamos a ter uma outra visão do que representa o esporte e do que o difere do jogo.
Fizemos a filmagem de um esporte, e tentamos identificar em um jogo de rua que têm características semelhantes, os contrapontos baseados nos autores e em outros livros para que tivéssemos uma compreensão mais ampla do assunto.
Vídeo 01 – Esporte = Beisebol
Vídeo 02 – Jogo = Taco
O esporte difere inicialmente do jogo através da sua característica de auto rendimento. Como podemos analisar nos vídeos, existe instrumentos que fazem do esporte mais elaborado, como por exemplo, o campo profissional, o treinador, os equipamentos, a motivação, o bom tratamento fisiológico. Esses são alguns dos fatores explícitos.
No vídeo, o beisebol ali está apenas como treinamento, e não é uma partida oficial, porém sabemos que por trás de todo aquele empenho que um esporte profissional exige do atleta, temos a questão da torcida que também interfere seja positivamente ou negativamente. O atleta profissional sofre influências das massas, pois o esporte é constituído de torcedores que automaticamente pressionam, além de que existem exigências internas, e é uma profissão que sofre muitas pressões que assim podem alterar o relacionamento familiar e as questões psicológicas e sociais como diz Colburn e Cratty no livro Psicologia do esporte tema emergentes 1. “…Nos informam que a questão da influencia que a família, o grupo, os dirigentes e a torcida exercem sobre o atleta, bem como a questão do medo da derrota ( bem como do medo da vitória ), a agressividade a concentração, a ansiedade, o espírito de luta são apenas demonstrativos da temática sobre a qual deve atuar o profissional da psicologia do esporte…” Esse texto nos mostra que os atletas profissionais sofrem tamanhas pressões que necessitam até de psicólogos específicos para tratarem de suas dificuldade e até de traumas.
O esporte nesse aspecto também tem como finalidade lucro, sendo profissão e movimenta uma série de fatores como o marketing esportivo, a mídia, relações publicas, como por exemplo em competições de grande magnitude como as olimpíadas. No início, o próprio esporte de auto rendimento, segundo Ademir Gebara no livro Esporte história e sociedade / Marcelo proni e Ricardo Lucena, tinha a intenção de profissionalizar e obter lucro, trazendo espetáculos como as olimpíadas de 1896, que a intenção seria promover espetáculos de massa.
O esporte de auto rendimento se afasta do lúdico em outras questões como a necessidade do individualismo e da vitória, como diz Valter Bracht “… Permeia, portanto, a busca do rendimento atlético que é condição para as possibilidades de vitória nas competições…”. Além de que a competição é sempre concorrência, como diz Liana Abraão Romera no livro Lúdico, Educação e educação física “… questão de que apenas os mais fortes têm vez e suprimem os mais fracos. O outro é sempre adversário, inimigo a quem tem que se vencer, pois apenas um só será o vencedor, e o outro será derrotado. Na competição tem que se ‘jogar contra e nunca jogar com’…”.Ainda outras questões permeiam o esporte como que as regras que são aceitas sem críticas, já que fazem parte do esporte, não há questionamentos, até para não haver exclusão.
Mas o esporte apesar de possuir tantas características, que para alguns autores são contrárias a benefícios educacionais e sociais, existem outras visões que colocam o esporte de forma que agregue pontos positivos como que ensina o atleta a ter disciplina, a aprender lidar com vitórias e derrotas, ter uma postura social diferenciada, além do que o esporte é paixão, move milhares de torcedores, movimenta empresas e meche com a sociedade sendo agente transformador.
No vídeo do jogo, apesar de ser uma demonstração semelhante do esporte, podemos identificar características totalmente diferentes, começando pelas questões que o Huizinga coloca como características do lúdico, como a falta de estrutura, a falta de pressão externa, já que o intuito é o prazer nele mesmo, como diz Giovanina Gomes de Freitas Olivier no livro Lúdico, educação e educação física (Nelson Carvalho Marcellino 2003 – 2º ed.) “… Ele é um fim em si mesmo, não é um meio que alcaçamos outro objetivo, seu objetivo é a vivência prazerosa de sua atividade. O lúdico é o ‘gosto porque gosto’”. Também têm o improviso como caracteristica, o fato de ser livre, de não possuir infuências externas, sendo que as regras são feitas pelos próprios jogadores, tem espaço e tempo definido, apesar de poder ser repetido infinitas vezes.
No livro Lúdico, educação e educação física de Nelson Carvalho Marcellino, temos outras visões de lúdico, como por exemplo, que ele ainda é muito associado ao lazer, momento de ócio, sendo até por isso desvalorizado como diz Maurício Roberto da Silva, que expõe que como o lúdico é fantasioso, não sério, pode ser visto como inutilidade, mas que outros estudiosos (Winnicott, Wallon, Piaget, Huizinga, Chateau e outros) se contrapõe mostrando sua importância tanto para a criança quanto para o adulto, sendo instrumento de humanização.
Mas essas questões da fantasia, fez com o lúdico perdesse um pouco do seu espaço, porém ele é instrumento de atividades de traços humanos, do qual as máquinas não podem fazer como o “brincar, o simular, o divertir-se…; quando essas particularidades desaparecem, o homem perde marcas fundamentais da sua singularidade”, como diz Miriam Moreira de Mello.
O lúdico também é visto por Liana Abrãao Romera, “como jogar com e não contra”, é fonte de relacionamento em que o outro é parceiro e não adversário. Ela também coloca: “O jogo está mais próximo do brincar, podendo proporcionar maior valorização dos elementos lúdicos da cultura, alcançando uma formação mais crítica e criativa do homem.” O homem se torna mais espontâneo, e desenvolve autoconfiança e autoconhecimento, já que esta desprovido das exigências da sociedade.
O esporte tem como uma de suas caracteristicas principais as regras, as federações e confederações, já o jogo tem uma visão diferente sobre regras, mas existe um contracenso sobre essa visão, pois o Huizinga, por exemplo, coloca que o jogo tem regras constituidas pelos jogadores, ali na hora, mas Caillois (1990) considera que o jogo é desprovido de regras, pois em brincadeiras ficticias, ele considera que não há regras, mas improvisação. Já Kishimoto (1994) considera que há regras explicitas como no xadrez e implicitas como nessa brincadeiras ficticias, exemplo, boneca. E Vygotsky (1989) Afirma categoricamente que não existe jogo sem regras.
O lúdico e o esporte possuem inúmeras caracteristicas que os diferem, e possuem para diferentes visões pontos positivos e negativos. Nós não queremos julgar abusivamente o que é certo ou errado, mas perceber que ambos fazem parte da nossa vida e sociedade., mas após as leituras, compreendemos que é necessário uma nova percepação sobre esporte e jogo como coloca Mauro Betti: ” O esporte como lúdico precisaria ser aprendido ou reaprendido e os espaços sociais para tal precisariam ser preservados e/ou criados. Essa conclusão traz implícita uma valorização: reconhecer a possibilidade de realização no esporte de outros valores que não os da cultura esportiva hegemônica. Não apenas o rendimento máximo do superatleta, mas o ótimo das pessoas comuns…; não somente dinheiro e medalhas como recompensa, mas também o prazer intríseco de participar; não só rivalidade, mas cooperação no confronto com outro ser humano.”
Dessa forma entendemos que existe espaço para os dois, mas que as ferramentas, e a forma como são apresentados devem ser modificadas, levando ao entendimento pleno de suas funções.
Bibliografia
Livro: Esporte historia e sociedade / Marcelo Proni e Ricardo Lucena (orgs). Ademir Gebara. Livro: Psicologia do esporte (Tema Emergentes 1) Afonso Antônio Machado. Livro: Lúdico, educação e educação física. (2003 – 2º edição) Nelson Carvalho Marcellino. Livro: “Acriança que pratica esporte respeita as regras do jogo... Capitalista”. Valter Bracht. Livro: Homo Ludens – 2004 – 5º edição Huizinga Johan.
(Participantes da produção da presente materia: Mario Wagner, Evelin luizi, Tainã Aline, Geizianne Barbosa, Juliana Martins,Rubens Braga e Leonardo Said)
3 Comentários
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Velho, assim como a apresentação de vocês, essa postagem está FODA, muito boa… talvez por terem conseguido ler tantos livros e pela qualidade do grupo de vocês, a idéia da ‘discussão’ em sala, sairam do jogral e a aboradagens de tantos pontos de vista entram de acordo com a opnião do grupo. Isso aew velho! E somos nós que faremos o futuro da Educação Física, e pelo geito faremos bem!!!
Abraço cara!
Obrigado cara valew pelo comentario, o seu grupo mando muito bem também!!!
vamos continuar assim estudando muito para podermos ter argumentos para
revolucionar esse mercado cheio de ideias falseadoras.
Abraços!!!
olá Mario!
seu blog está muito bom!